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Eu fugi, mas o mundo acadêmico me pegou

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Eu fugi, mas o mundo acadêmico me pegou

January 25, 2017

 

Confesso que sempre fui bem avesso ao meio acadêmico. Desde criança, sempre gostei muito de ler, acredito que até mais do que os “CDF´s”. Todavia, as minhas leituras não se encaixavam no formato da escola. As minhas leituras envolviam em primeiro lugar a Revista Placar, em segundo lugar outros veículos ligados ao futebol e em terceiro lugar música.
 

Isso não se encaixa no mundo escolar, onde só é inteligente quem sabe ciências, normas gramaticais e fórmulas matemáticas. Como resultado disso, fiquei em recuperação da 4ª série do ensino fundamental ao 2º ano do ensino médio. Só estudava mesmo na recuperação, para passar de ano e também me dediquei bastante no 3º ano do ensino médio, ano do pré-vestibular, o que possibilitou ser aprovado em cinco vestibulares.


Quando cheguei no curso de radialismo, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, eu também não era o aluno mais dedicado nos padrões acadêmicos. Respirava informação quase o dia todo, mas sempre buscando os temas preferidos, sobretudo o futebol. Consegui mercado no jornalismo, até mesmo vencendo o concurso nacional do Jornal LANCE!, chamado Craque do Futuro. A motivação maior para isso foi ouvir de um grande amigo que era impossível e perda de tempo concorrer.


Minha maior dedicação sempre a trabalhos autorais, aonde eu pudesse explorar a criatividade. Por isso, sempre criei blogs, mesmo abandonando depois e me dediquei bastante ao site Pimba na Gorduchinha, onde o amadorismo dos equipamentos fez com que a gente criasse uma nova linguagem jornalística, bem mais próxima do torcedor. Também vi na assessoria de imprensa a possibilidade de criar um jeito próprio de tratar os clientes, de acordo com suas nossas necessidades. Daí, criava novas formas de comunicação, fora dos padrões da universidade.
 

Meu pai via um desperdício de energias ser um eterno freelancer e, ao mesmo tempo, não apoiava na criação de uma agência, por ver que esse não era o meu perfil. Sou um intenso dedicado a projetos passageiros. Então, me incentivou para o mestrado em Portugal, onde abriu novos horizontes. A saída do Rio Grande do Norte me fez criar liberdade para ter outros talentos, podia apresentar versões de mim que eu sempre tive vontade.


A rebeldia ao mundo acadêmico me fez escolher estudar algo que eu não tivesse visto em alguma Universidade. Decidi estudar sobre a aversão de rappers brasileiros a Rede Globo. O rap foi uma forma de música e intervenção política que foi singular na formação da minha visão crítica. Por ser tão diferentes, abriu novos horizontes até para a minha amada orientadora do mestrado, a professora Isabel Ferin.

De quebra, ainda explorei o lado artístico e a escrita mais livre, o que me fez soltar mais o rap com o amigos de Coimbra, cantando sobretudo no estilo freestyle.


E depois cheguei ao doutorado. Eis que resolvo, em maio de 2016, ir para um jantar do renomado sociólogo Boaventura de Sousa Santos, mesmo sabendo muito pouco dele e achando aquele ambiente totalmente novo para mim. Um meio repleto de acadêmicos, dançando e se divertindo. Quebra a imagem do acadêmico sério e tecnicista que criei e acabo cantando um rap para o sociólogo.


Foi o início de um encontro com o mundo acadêmico. Aquele contato possibilitou o convite para escrever um artigo científico com o professor Itamar Nobre, que trabalhava na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Logo que entrei na UFRN, eu participei de um projeto de fotografia coordenado por ele, chamado Fotec. Todavia, não tinha maturidade para dizer que queria me dedicar ao Pimba na Gorduchinha e simplesmente abandonei.


Além disso, a Fotec tinha um grande rigor técnico para preservar a boa qualidade, então não se encaixava muito no meu estilo livre. Mas foi o meu primeiro encontro com a academia. Decidimos dali fazer um trabalho juntos, criamos então o artigo científico “Rap: uma representação pós-colonial e contra-hegemônica no cenário cultural”, que foi publicado em janeiro de 2016.

 

 


Além disso, a possibilidade de estar no mundo artístico e acadêmico fez com que o professor de direito Leonardo dos Anjos me chamasse para escrever o epílogo do livro dele em rap. São 15 páginas de rap sobre Novos Direitos Urbanos. No entanto, o livro ainda não foi divulgado.


Esse foi o pontapé inicial, para que eu aceitasse o mundo acadêmico, mas com algumas restrições. Ainda quando há um tecnicismo muito grande, uma abstração em demasiado, ou mesmo a imposição da academia como saber único, eu sempre fujo.


No entanto, tive novamente oportunidade de participar de evento com o Boaventura de Sousa Santos em uma proposta inovadora. Em uma ação idealizada pelo sociólogo, houve a possibilidade de conectar a arte e academia em um mesmo patamar, no evento denominado “Alice e artes: espetáculo e roda de conversa”.


No primeiro dia, eu cantei um rap freestyle e no segundo dia tive a oportunidade de participar de um debate, ao lado de artistas de Coimbra e Lisboa, que dificilmente teriam chance de serem colocados em um mesmo patamar dos saberes universitários em outros espaços acadêmicos, em junho de 2016.

Mas vou deixar para contar em outros posts desse blog, para que esse não seja um exemplo de postagem tão extensa, que deixe o leitor distraído da ideia inicial.

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