January 26, 2017

February 28, 2016

Please reload

Postagem recente

Eu fugi, mas o mundo acadêmico me pegou

January 25, 2017

1/2
Please reload

Postagem em destaque

Quebrando as barreiras, por uma perspectiva cultural mais ampla

January 23, 2016

 

 

Quando se aproxima o período de alguma grande festa, é comum observar o julgamento feitos por pessoas que se consideram mais elevadas culturalmente. Taxam os adeptos das grandes festas como pessoas aculturadas e qualificam, de forma preconceituosa, o intelecto delas.
 

Um dos tabus que os estudos culturais mais busca transformar no senso comum, é a imensa barreira que se coloca entre a cultura erudita e a popular ou a alta cultura e a baixa cultura.


Hierarquizar a cultura em níveis é uma violência contra grandes grupos populacionais, que resulta em uma segregação. Por isso, buscar observar qualquer bem cultural de uma forma horizontal é uma perspectiva muito mais libertária e de valorização do outro. Buscando entender o outro, ao invés de menosprezá-lo, passamos a estabelecer uma comunicação, que nos faz evoluir culturalmente. E digo de uma forma ampla, como nos hábitos, tradições, música, comida, costumes e artes em geral.


Um dos grandes pontos de preconceito, é para com as músicas dançantes. A dança tem um caráter emancipatório, o dançarino passa a se expressar com o corpo, buscando a liberdade e se desligando de todos os problemas desse mundo selvagem. Por alguns instantes, só os movimentos do seu próprio corpo interessam. As festas com músicas dançantes é uma válvula de escape para o povo e ainda serve como antidepressivo.


Ao considerar o outro como alienado, devido aos seus hábitos culturais, vejo uma alienação daquele que se fecha em uma superioridade. Conseguir enxergar o diferente, é o mínimo que se pede para não ser cego culturalmente.


Em Portugal, especificamente, observa-se muito julgamento para os adeptos da quizomba e das músicas brasileiras comerciais. Atrelo muito esse discurso com uma luta para manter o domínio sobre as antigas colônias, agora no âmbito cultural. É como se o português dissesse: “Vocês precisam de mim, porque nossos valores culturais são mais valiosos do que os seus”.


Observo ainda muitas vezes que esse julgamento está também interligado com a frustração por não saber dançar, por isso, tenta desvalorizar um mundo que ele não consegue conhecer.


E nesse separatismo, muitos valores culturais são perdidos. Em Cabo Verde, o batuku, que hoje é valorizado com um dos patrimônios culturais do país, foi repreendido durante grande parte do período colonial, por ser uma marca de identidade do povo negro.


Em outras colônias, eram denominados como batuques, quase todas as expressões musicais negras. Tratava-se de uma generalização, para desqualificá-las. Além disso, buscavam repreender essas expressões artísticas e impor a cultura branca. Impondo a sua cultura, o colonizador teria um meio para controlar e dominar os colonizados.


Quantos bens culturais não foram abortados nesse processo? Agradeço ainda pela música negra ter resistido em muitos pontos e ser a principal herança cultural do povo negro. Hoje, espero que os tambores que fazem o chão tremer, continuem resistindo. Assim como as danças, do forró a quizomba, sigam representando liberdade para as pessoas.


E mesmo quando não se identificar com algum produto cultural, sonho que as pessoas pelo menos respeitem o próximo, pois “a arte está nos olhos de quem vê”.

Please reload

Siga-me

I'm busy working on my blog posts. Watch this space!

Please reload

Procurar por tags
Please reload

Arquivo
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square

© 2015 por  CARLOS GUERRA JÚNIOR Humildemente criado com Wix.com

This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now