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Entre desistir ou buscar alternativas

December 6, 2015

Se aprofundar nas teorias sociais dá um misto de consciência e desesperança. Fica cada vez mais nítido que em toda história da humanidade as ideias dominantes sempre foram as ideias da classe dominante.

 

Sempre prevaleceram os interesses mais individuais e mesquinhos, a troco de um povo perdido, alienado e destoado. Fica também claro que a tendência é continuar isso, através de um modelo econômico de desumanização.

 

Como saída, resta para o povo utilizar a interação social, para construir alternativas e resistência. Mas quem propõe isso está claramente se posicionando contra os interesses de um grupo dominante e pode pagar o preço do isolamento.

 

Para a maior parte da população, quem se posiciona a favor de quebrar o modelo hegemônico é insano ou incoerente.

 

A saída a meu ver, está em uma tríade principal. Temos que lutar pela descolonização total do ser humano. A descolonização do ser, do saber e do poder.

 

A descolonização do ser tem a ver com a quebra do preconceito. O modelo ocidental de homem é considerado o superior e, para isso, desumanizamos todos os outros modelos, colocando em um nível inferior. Para isso, devemos lutar contra todas as formas de preconceito, como o sexismo, o racismo, a homofobia, a transfobia e qualquer tentativa de inferiorização do outro.
 

A descolonização do poder é a quebra do modelo econômico atual, o capitalismo, em que metade da riqueza do mundo está na mão de 80 pessoas. Apenas com políticas que estabeleçam uma maior distribuição dos bens poderemos pensar em uma sociedade que se priorize a cidadania, a igualdade e a justiça.
 

A descolonização do saber tem a ver com ouvir todas as pessoas para se construir alternativas. O saber científico ocidental sempre foi colocado como o único saber possível. É preciso ouvir a periferia, quem sofre com os problemas. Para isso, pontuo o Fórum Social Mundial e o Movimento Hip Hop como fundamentais. O Fórum Social Mundial busca reunir todos os movimentos sociais possíveis e construir alternativas viáveis e o Movimento Hip Hop traz a voz da periferia para dentro do debate. Além disso, devemos estabelecer mais a troca de ideias, em busca de alternativas viáveis.
 

O ar de desesperança existe porque sei que a minha capacidade de mobilidade é muito reduzida. Resta-me duas alternativas: baixar a cabeça e aceitar o modelo hegemônico ou resistir e convidar mais pessoas para o debate. Muitas vezes, dá vontade de ir para a primeira alternativa, mas prefiro resistir e sonhar. Quando nós sonhamos, podemos ainda construir o que grande educador Paulo Freire chamava inédito viável. Trata-se daquilo que nunca aconteceu, mas que como sonhamos temos capacidade de criar métodos para alcançar.

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