Um exemplo prático de debate cidadão

Na última sexta-feira (26) estive entre os convidados do II Encontro - Projeto "Novos Direitos Urbanos", integrante do Ciclo Internacional de Debates Cidadanistas Transatlânticos. O evento teve a presença de estudiosos de diferentes áreas científicas. Foram convidadas pessoas do direito, da economia, da informática, da comunicação, etc.

Aprendi muito sobre diferentes temas como direitos urbanos, cidadania, urbanismo, lazer e turismo. Todos os debatores apresentaram alto nível de conhecimento, aliada a humildade necessária para se fazer um debate construtivo.

Ciclo Internacional de De Debates.jpg

De mestrandos a pós-doutorandos, a mesa foi formada de forma horizontal, com possibilidade de intermediação de todos. O intuito do ciclo de debates é a construção de um livro, na qual eu sou um dos autores. A minha participação será um artigo escrito em forma de rap, na qual eu mostro a importância do rap na luta por direitos e englobo os direitos urbanos no conteúdo abordado na letra.

Outros autores do livro estiveram presentes, assim como convidados de diferentes áreas, que puderam acrescentar ao debate e ao livro. Além do networking estabelecido, a maior aula que tive no evento foi como se fazer um debate realmente cidadão. Para isso foram respeitado dois princípios básicos:

1 – Ninguém é dono do saber

2 – Todos devem ser respeitados de forma igual

A mesa foi formatada de forma horizontal, onde não existia apresentador e público, como na maioria dos eventos em geral. O princípio respeitado é que todas as pessoas conhecem o mundo de forma diferente, mas isso não induz a uma hierarquização do saber.

O taoísmo e o rap já haviam me ensinado bastante sobre a hierarquização do saber, mas eu não tinha vivenciado um exemplo prático no mundo acadêmico.

O taoísmo entende que não existe superioridade, apenas os caminhos para viver o mundo são individuais e, por isso, feitos de forma diferente. Já o rap me trouxe exemplos práticos da concepção de sociedade, que se compara a livros de grandes autores. Todavia, não se há um respeito científico para o que é abordador por um rapper, em geral, devido a hegemonia do diploma.

Esse exemplo prático de debate, vivenciado no Ciclo Internacional de Debates, pode ser implantado em planejamento de cidades, universidades e até famílias e grupos sociais. O que muitas vezes observamos é que os debates são feitos de forma hegemônica, onde alguém deve ser demasiadamente respeitado, por inúmeros fatores, como idade, diplomas, maior número de livros lidos, etc.

Além disso, presenciamos no dia-dia pessoas que estão dispostas a dar opinião, mas sem aceitar o outro, como se a voz dela fosse um decreto-lei, que só me faz lembrar um dos princípios da ditadura, que é não aceitar a visão do outro.


Postagem em destaque
Postagem recente
Arquivo
Procurar por tags